“...vejo um deus subindo da terra...” — 1 Samuel 28:13
A tese que defendemos: a entidade que surgiu na sessão de Endor era um demônio — um espírito enganador personificando Samuel para arrastar Saul ao desespero e à ruína.
1 Samuel 28 marca o ponto mais trágico da caminhada espiritual de Saul. Após duas desobediências graves — oferecer o sacrifício no lugar de Samuel (1 Sm 13) e poupar Agague e o melhor dos animais (1 Sm 15) —, Deus rejeitou Saul como rei e o Espírito do Senhor se afastou dele.
Com os filisteus avançando para atacar, Saul teve medo e buscou resposta de Deus. Nenhuma veio: nem sonhos, nem Urim, nem profetas. Em desespero, ele foi a En-Dor procurar uma necromante — praticando exatamente o que ele mesmo havia proibido e que a Lei condenava.
A consulta aos mortos e a necromancia são expressamente proibidas na Lei de Deus como práticas abomináveis. Deus jamais validaria uma prática que ele mesmo condena.
A médium relata: “vejo um deus (Elohim) subindo da terra... vem subindo um ancião enviado numa capa”. Uma entidade que emerge do chão, da cova, liga-se às práticas antigas de invocação e à ideia de forças ocultas e subterrâneas.
Espíritos malignos atuam enganando as pessoas e podem se disfarçar assumindo a identidade de falecidos. A imitação não é acaso — é estratégia de engano.
Deus havia abandonado Saul e não respondia por nenhum canal legítimo — nem sonhos, nem Urim, nem profetas. Esse vazio espiritual foi a porta aberta ao maligno.
A mensagem transmitida não ofereceu nenhum caminho de restauração ou arrependimento — só juízo e ruína. As palavras levaram Saul a cair estendido no chão em pavor.
A teologia bíblica aponta que as almas dos mortos estão em outro domínio, reservado por Deus e inacessível a invocações terrenas. Nenhuma médium tem poder sobre a alma de um servo de Deus.